quinta-feira, 26 de junho de 2014

METEOROLOGIA DE UM CÉU SEM NUVENS E A MELANCOLIA DO EQUINÓCIO DE OUTONO: MAIS UM ANO QUE MORRE AOS POUCOS

I. O céu limpo e gelado me dava o conforto da permanência, da imobilidade. Todos os dias o ciclo se completava sem interferências, do preto ao azulado, um punhado de estrelas apagadas, um instante quase branco antes do perfeito azul celeste. Ao final, os raios baixos do sol atravessavam a poluição e revelavam aquela faixa escura e pesada junto ao horizonte, sob o infinito amarelado; céu de nectarina. A lua subia gigante e laranja brilhante, acesa contra a sujeira da cidade.

II. Eu sentia a noite cada vez mais cedo, mais comprida e mais gelada. O sol vermelho descia no horizonte um minuto mais cedo que no dia anterior. As transições me causavam um pânico inconsciente; desconfiava que o solstício não teria forças para conter e reverter o que o equinócio desencadeou. As noites se aproximavam uma da da outra, esmagando o dia entre elas. Um dia, o sol brilharia por dois minutos. No próximo, a imobilidade seria completa, e o ciclo seria perfeito.

Nenhum comentário: