parte 1
Lauro, com seu cigarro de palha apagado pendurado no canto da boca, decidiu ficar no gol.
Lauro, com seu cigarro de palha apagado pendurado no canto da boca, decidiu ficar no gol.
"Quero ficar na sombra", explicou, mas explicação suficiente era a sua pele cor de leite desnatado: branco, meio transparente, puxando pro azul.
Ele separou os pés, dobrando os joelhos, abriu os braços e apertou firme o cigarro entre os lábios quando Marcos veio driblando pelo gramado, descalço, os óculos escuros tortos pendurados no nariz e um sorriso que se transformou num "Uuuu!" coletivo ao ver a bola desviada pelo travessão para os galhos do alto da árvore no fundo do quintal.
"Aah, acabou a brincadeira", gritou Lauro com falsa decepção, acendendo o cigarro com um isqueiro preto vindo sabe-se lá de onde e caminhando em direção à geladeira.
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