— Meu cafezinho. Tô com dor de cabeça.
— Que horas são?
— Seis e vinte.
— Hm.
— Da manhã.
— Sério?
— Sério.
Pequena pausa.
— Sabe quando você tá jogando videogame de corrida e fica muito para trás aí ultrapassa quem estava em primeiro lugar e fica uhul, só que ainda tá umas três voltas atrás? É a gente com o nosso sono.
— Que horas são?
— Seis e vinte.
— Hm.
— Da manhã.
— Sério?
— Sério.
Pequena pausa.
— Sabe quando você tá jogando videogame de corrida e fica muito para trás aí ultrapassa quem estava em primeiro lugar e fica uhul, só que ainda tá umas três voltas atrás? É a gente com o nosso sono.
Ela jogou o coador dentro da pia e virou-se para ele, apoiando-se na bancada, o café quentinho na gigante caneca do Pato Donald. Sorriu, os olhos ainda meio fechados.
Ele perguntou quais os planos do dia.
Ele perguntou quais os planos do dia.
— Eu vou pra piscina.
— Mas tá tão gelada.
— Eu tô com calor.
— Mas tá tão gelada.
— Eu tô com calor.
Tâmara chegou vestindo uma camiseta azul marinho que chegava aos seus joelhos e meias brancas. Foi direto ao fogão acender o cigarro que trazia entre os dedos. Uma mecha do cabelo assustadoramente rebelde chegou a dois centímetros da chama azul.
— Não fuma na cozinha... — a voz de Alice foi diminuindo, ela já tinha dito isso tantas vezes. — Ah, foda-se — Terminou o café em silêncio.
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