Observou o sol escorrer por toda a extensão da mesa de madeira antes de começar a esquentar a ponta dos seus dedos compridos, congelados ali desde que ele a deixara sozinha. Durante todo esse tempo ouviu distantes notas aleatórias de um piano imaginário. Respirava em silêncio para não despertar as poltronas e os tapetes. Perdeu a conta da pulsação discreta no seu peito. Piscava imperceptivelmente os olhos baixos, meio fechados, sob o cabelo vermelho. O gelo dentro do copo já derretera há muito tempo, deixando apenas um líquido translúcido sem cor definida.
O som profundo e claro de um corpo se chocando contra a grama alta do jardim da frente não lhe provocou reação nenhuma.