domingo, 18 de dezembro de 2011

Tenho nojo da minha mediocridade. Das linhas imaginárias no chão, que me são muros de rocha e medo. Nojo do que me define e do que me atinge. Queria poder arrancar com os dentes pedaços do meu passado, com olhos vermelhos de ódio e contida bestialidade. Contento-me com tão pouco. As mãos ásperas de sujeira, de terror, de bactérias e esgoto, de partes do mundo que não são minhas. Controle? Não tenho controle sobre mim, sobre o que eu fiz e quero e penso. Controle. Me envolvem numa capa de mentiras, enxofre e lágrimas. Indiferença, isso que pedem e não recebem. Perfeição é um parâmetro palpável. Ganchos e correntes atravessam-me a pele, castrando meus movimentos e minhas vontades. O que falta é força e um caminho. O objetivo se perdeu.

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