sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O cheiro podre da madeira transformava o ar numa matéria pastosa, sufocante, inexplicavelmente transparente. Tapetes cinzentos abafavam qualquer som dentro e fora do quarto, exceto o zumbido metálico dentro da minha cabeça. Sentia dedos escuros enroscando-se nos meus tornozelos, o pânico grudado na minha garganta. A sombra morna atrás de mim lambeu a minha nunca e apertou meus ombros. Não me virei.

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