MEMÓRIAS DE UMA JUVENTUDE QUE NUNCA FOI MINHA
Saudades eu tenho daquela época que a vida era o intervalo entre um sorriso e próximo, quando o céu era sempre pontilhado de estrelas, a lua era sempre crescente, a grama era gelada, mas aconchegante sob as nossas jaquetas de couro e entre os seus cabelos embaraçados; nossos dedos embaraçados.
Saudades eu tenho, mas não olho para trás. Eu fecho os olhos e sinto a música no meu estômago. Sinto o asfalto. E lembro dos seus óculos, que eu perdi naquela noite que terminou com o sol nascendo gelado e laranja. Seu sorriso assim meio baixo, meio de lado, escondido.
Éramos o maior dos clichês e por isso mesmo éramos felizes.
Agora tudo que eu tenho... não seio que eu tenho. Sou uma fita de memórias recortadas e costuradas umas nas outras, retalhos que nunca aconteceram, que eu queria que tivessem acontecido e outros que foram reais. Nunca soube separar uns dos outros.
Os melhores anos da minha vida são os que já passaram. E de pouco em pouco, eles vão se desmanchando na minha cabeça, palavra por palavra, sorriso por sorriso.